Autarquia alerta para efeitos locais da transferência
A Câmara de Ílhavo manifestou esta sexta-feira o seu lamento face à decisão da empresa cerâmica Margres de transferir a produção da unidade instalada no concelho para a cidade de Aveiro. Em comunicado, o executivo municipal afirma ter sido «totalmente surpreendido» pela reorganização industrial e anuncia que acompanha com preocupação os potenciais impactos para a economia e para o emprego local.
Ao longo de décadas, a unidade da Margres integrou o tecido empresarial do município, contribuindo para a criação de emprego qualificado e para a identidade industrial da região. A autarquia sublinha que, apesar de compreender a opção empresarial, a decisão representa uma deslocalização com efeitos concretos para trabalhadores, famílias e para a dinâmica económica da cidade.
"Mais do que isso, este é, principalmente, um momento de incerteza para dezenas de trabalhadores e respetivas famílias."
O comunicado salienta que a administração da Margres indicou que a maioria dos colaboradores poderá manter vínculo laboral, mas admite que, na prática, muitos trabalhadores vivem «horas de legítima apreensão e incerteza quanto ao seu futuro profissional». A Câmara apela para que o processo decorra com transparência, diálogo e respeito pelos direitos dos trabalhadores.
- Autarquia disponível para colaborar com entidades competentes;
- Pedido de soluções que minimizem os impactos humanos da reorganização;
- Até ao momento, a empresa não respondeu a pedidos de esclarecimento da comunicação social.
Para além da componente humana, a deslocação da produção põe em causa benefícios locais menos imediatos, como a manutenção de fornecedores locais e a circulação económica gerada por trabalhadores e pela própria atividade fabril. A Câmara de Ílhavo compromete-se a apoiar, dentro das suas competências, iniciativas que possam salvaguardar os interesses dos trabalhadores e do município.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Empresa | Margres |
| Origem | Unidade de Ílhavo |
| Destino | Aveiro |
| Posição da Câmara | Solidariedade e acompanhamento atento |
O desfecho deste processo e a sua materialização em termos de manutenção de postos de trabalho ou de medidas compensatórias serão determinantes para avaliar o verdadeiro alcance do impacto em Ílhavo. A Lusa tentou obter esclarecimentos junto da empresa, sem resposta até ao momento; a Câmara diz estar disponível para colaborar institucionalmente e apoiar medidas que protejam trabalhadores e o tecido económico local.
Esta mudança coloca em evidência desafios mais amplos sobre a capacidade de retenção de atividade industrial no concelho e sobre a necessidade de respostas concertadas entre empresas, autoridades locais e entidades regionais para mitigar efeitos sociais e económicos.