A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) propôs uma actualização dos tarifários do estacionamento na via pública, uma alteração que não ocorre desde 2011 e que deverá ser discutida na reunião de vereadores agendada para a próxima quarta‑feira. A iniciativa tem aprovação praticamente garantida, segundo a informação divulgada.
Novos valores e zonas afectadas
Os preços foram revistos tomando como referência a evolução do Índice de Preços no Consumidor entre 2024 e 2025, com os montantes finais arredondados para múltiplos de cinco cêntimos por razões práticas. As alterações diferem conforme a natureza das zonas tarifárias — verde, amarela, vermelha, castanha e a denominada preta, teoricamente a mais cara.
| Zona | Tarifa atual (€ / h) | Tarifa proposta (€ / h) |
|---|---|---|
| Verde | 0,80 | 0,85 |
| Amarela | 1,20 | 1,25 |
| Vermelha | 1,60 | 1,70 |
| Castanha | 2,00 | 2,10 |
| Preta | 3,00 | 3,15 |
Na prática, os parques tarifados nas zonas centrais e de maior procura — entre as quais a Baixa, o Chiado, Bica, Cais do Sodré, Príncipe Real, Avenida da Liberdade, Avenidas Novas e Avenida Almirante Reis — sofrerão o aumento mais expressivo, de dez cêntimos por hora. Em áreas com menor pressão de estacionamento, como Campo de Ourique, Parque das Nações, Arroios, Penha de França, Lapa, Estrela, Lumiar, Carnide e Olivais, a subida prevista é de cinco cêntimos por hora.
Justificação e impactos financeiros
A câmara, através do vice‑presidente e vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, fundamenta a proposta em dois vetores: a necessidade de reforçar a sustentabilidade financeira da EMEL face ao aumento de custos de funcionamento — incluindo despesas salariais — e aos investimentos em curso; e a adequação dos tarifários à procura real e aos novos padrões de mobilidade, com o objectivo de favorecer maior rotatividade dos lugares disponíveis.
- Motivo financeiro: cobrir custos crescentes e suportar projectos como a expansão da rede ciclável e a gestão de sistemas de semáforos.
- Motivo de gestão urbana: ajustar preços para desincentivar ocupações prolongadas em zonas centrais.
- Previsão de receitas: a EMEL estima um acréscimo mínimo de 840.000 euros por ano, elevando os rendimentos para mais de 25,9 milhões de euros.
A proposta deverá ser votada internamente pelos vereadores antes de qualquer alteração entrar em vigor. Se aprovada, a actualização tarifária representará uma mudança nas decisões diárias de quem circula e estaciona na cidade, com impacto particular para quem utiliza o carro em zonas de elevada procura.
Para os residentes e comerciantes, a subida levanta questões práticas sobre o custo de acesso ao comércio local e a competitividade de alternativas ao transporte público. Para os utilizadores habituais do automóvel, a diferença poderá representar um aumento apreciável nas despesas de estacionamento a médio prazo, sobretudo em deslocações frequentes para o centro.
As próximas sessões da câmara e os comunicados da EMEL deverão clarificar o calendário de aplicação das novas tarifas, eventual existência de exceções e regimes específicos para moradores ou profissionais com necessidades de estacionamento regular.