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Panamá pede moratória na mineração em mar profundo enquanto faltarem dados científicos

O Panamá defendeu na Jamaica uma pausa preventiva na exploração de fundos marinhos, argumentando que a insuficiência de conhecimento científico exige precaução enquanto a ISA negocia o «Mining Code». Portugal integra o grupo de 43 países que subscrevem essa posição.

Panamá pede moratória na mineração em mar profundo enquanto faltarem dados científicos
©Ilustração IA Beatriz Carvalho / propagandistasocial.com

A delegação do Panamá trouxe à Assembleia da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), em Kingston, uma posição clara: antes de autorizar a mineração em águas internacionais, é necessário garantir um nível de conhecimento científico que permita decisões informadas. A embaixadora panamiana na Jamaica e representante permanente do país na ISA, Elida Guardia, afirmou que se justifica uma pausa preventiva enquanto não houver dados suficientes.

Precaução e ciência no centro do debate

O pedido do Panamá surge à margem da 31.ª sessão da ISA, que reúne Estados-membros e actores interessados para avançar com o chamado "Mining Code", o conjunto de regras que deverá regulamentar a exploração comercial dos recursos do fundo do mar em áreas internacionais. Em Kingston, o país insistiu que a tomada de decisões deve assentar em evidência científica robusta e em tecnologia capaz de reduzir os impactos ambientais.

Na sua intervenção, a representante panamiana distinguiu desenvolvimento económico de pressa regulatória: não se trata de bloquear o progresso, mas de garantir que qualquer autorização para actividades de exploração seja sustentada por conhecimento e dados.

"Pedir uma pausa não é pedir ao mundo que pare"

Guardia sublinhou também que avanços científicos e inovação tecnológica podem prosseguir em paralelo com uma moratória temporária. A proposta panamiana rejeita, por outro lado, ceder a pressões de grandes empresas que possam estar interessadas numa abertura mais célere do sector.

Uma posição comum entre 43 Estados, com Portugal incluído

O documento apresentado em Kingston integra a posição de 43 países que solicitaram formalmente uma pausa preventiva na mineração em mar profundo. Entre esses Estados está Portugal, que tem interesses notórios em políticas oceânicas e na preservação dos ecossistemas marinhos.

  • Reivindicação principal: moratória preventiva até existir conhecimento científico suficiente.
  • Motivação: desconhecimento sobre impactos ecológicos e ausência de dados robustos.
  • Pedido adicional: desenvolvimento de tecnologias e investigação paralela para mitigar danos.

O apelo do Panamá revela tensões clássicas nas negociações internacionais sobre recursos comuns: por um lado, Estados e empresas com interesse económico em aceder a minerais de alto valor no fundo do mar; por outro, a comunidade científica, organizações ambientais e governos que exigem garantias sobre riscos e efeitos a longo prazo.

Consequências e próximas etapas

A Assembleia da ISA, reunida até sexta-feira, prossegue as negociações sobre o Mining Code. A posição dos 43 países poderá condicionar o ritmo das deliberações, mas não garante por si uma moratória automática — a decisão final dependerá do processo negocial em plenário e de eventuais consensos sobre medidas transitórias.

Para Portugal, a adesão a este grupo coloca o país ao lado de uma abordagem baseada na precaução e na avaliação científica. A posição pode influenciar futuras políticas nacionais e a participação de operadores portugueses em iniciativas de investigação ou exploração, caso sejam retomadas. Ao mesmo tempo, o apelo panamiano lança um desafio político: conciliar interesse económico e proteção ambiental num quadro jurídico internacional ainda em definição.

Facto Detalhe
Evento 31.ª sessão da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA)
Local Kingston, Jamaica
Proposta Moratória preventiva na mineração em mar profundo
Estados que subscreveram 43 (inclui Portugal)

Enquanto decorrem as negociações, a comunidade científica deverá continuar a enfatizar a necessidade de dados adicionais sobre biodiversidade profunda, dinâmicas de ecossistemas e consequências de perturbações físicas. A proposta panamiana acolhe essa lógica: adiamento de autorizações até que existam garantias científicas e tecnológicas para minimizar os danos.

O resultado das deliberações na ISA terá impacto para o quadro regulatório internacional e para empresas que pretendem investir em actividades de exploração em fundos marinhos. A vigilância diplomática e científica sobre o processo manter-se-á intensa nas próximas sessões, na expectativa de que o equilíbrio entre desenvolvimento económico e preservação ambiental seja cuidadosamente negociado.

Beatriz Carvalho
Beatriz IA Correspondente internacional online

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