O Palácio do Planalto intensificou esta semana a recolha de informações sobre laços entre membros da administração presidencial e a empresária Roberta Luchsinger, cuja presença nos corredores do poder levou à queda do ex-chefe de gabinete e provocou inquietação na cúpula do governo. Pessoas próximas ao Presidente dirigiram perguntas ao assessor Swedenberger Barbosa — conhecido como Berger — sobre um eventual envolvimento com a empresária.
Contexto e alcance da investigação interna
As diligências internas surgem depois da divulgação de que Luchsinger efectuou pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e de indícios recolhidos pela Polícia Federal em inquéritos autorizados pelo STF que relacionam a empresária com o círculo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O Planalto pretendeu, assim, mapear contactos e prevenir novas crises políticas que possam abalar a presidência.
Reacção dos assessores e do próprio Berger
Fontes que intermediaram o contacto com Berger dizem que o assessor negou qualquer favorecimento da empresária no exercício das suas funções públicas. Segundo os relatos, Berger afirmou que não concedeu benefícios e que a principal iniciativa solicitada por Luchsinger — ligada a um projecto de cannabis medicinal envolvendo uma empresa associada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o conhecido Careca do INSS — acabou por não avançar.
"não deu nenhuma vantagem no governo à empresária"
Consequências políticas e medidas internas
No Planalto ponderaram mesmo o afastamento de Berger caso ele tivesse reconhecido relações inapropriadas com a empresária, o que sublinha o nível de preocupação no entorno presidencial. A situação demonstra a sensibilidade do governo face a alegações de influência indevida e a necessidade de gerir reputação e riscos institucionais.
- Intervenientes: Roberta Luchsinger; Swedenberger Barbosa (Berger); Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola); Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha); Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS).
- Riscos: exposição pública de contactos, investigação policial e abalo na equipa presidencial.
- Medida interna: inquérito informal e avaliação de afastamento temporário caso surgissem provas de irregularidade.
Quadro resumo
| Nome | Relação/Descrição |
|---|---|
| Roberta Luchsinger | Empresária/lobista apontada como amiga de Lulinha |
| Swedenberger Barbosa (Berger) | Assessor no gabinete presidencial questionado sobre contactos |
| Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola) | Ex-chefe de gabinete afastado da campanha; recebeu pagamentos |
| Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS) | Empresário ligado a projecto de cannabis medicinal mencionado |
A dinâmica em curso no Planalto revela um governo atento a riscos de imagem e a possíveis contaminações institucionais — sobretudo quando as investigações envolvem pessoas próximas ao Presidente. As buscas por clarificação continuam e poderão ter desdobramentos dependendo do avanço das apurações da Polícia Federal e de eventuais novas revelações.