Tecnologia

Portugal pode acelerar a transição energética se resolver o défice de talento qualificado

Responsável pela área de Smart Infrastructure da Siemens Portugal defende que o país tem condições para assumir um papel mais ativo na transição energética, desde que aproxime empresas, Governo, academia e invista na formação especializada.

Portugal pode acelerar a transição energética se resolver o défice de talento qualificado
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Siemens aponta falta de qualificações como principal entrave à transição energética

A Siemens Portugal alerta que a escassez de mão de obra qualificada é hoje o principal estrangulamento à transição energética no país. Luís Marçal, responsável pela área de Smart Infrastructure na empresa, sustenta que Portugal reúne condições para participar mais ativamente desta transformação — mas só se houver maior articulação entre empresas, Governo, academia e centros de conhecimento.

A história da Siemens em Portugal, com mais de 120 anos de presença, é referida como base para o trabalho de formação e capacitação. Segundo a empresa, essa experiência tem-se traduzido em iniciativas dirigidas tanto a jovens como a profissionais em atividade, com programas e academias que visam reduzir o desfasamento entre a oferta de competências e as necessidades do mercado.

Da tecnologia à formação: a ação prática da Siemens

Para além de fornecer soluções tecnológicas, a Siemens assume um papel ativo na criação de talento. Entre as iniciativas citadas está a participação na fundação da ATEC, uma academia dedicada à formação profissional financiada, e o lançamento, em janeiro, da competição académica Accelerate NextGen, destinada a estudantes que desenvolvem soluções para acelerar a transição energética e a transformação digital.

"Ao longo dos mais de 120 anos de presença em Portugal, a promoção e o desenvolvimento do conhecimento têm sido uma dimensão central do nosso compromisso com o país."

O programa Accelerate NextGen, referido pela Siemens, envolveu o uso de ferramentas e software reais da empresa e acesso direto a especialistas. A edição mais recente foi vencida por uma equipa de alunos do ISEL, mostrando ligação direta entre iniciativas académicas e empregabilidade.

  • Problema identificado: falta de competências técnicas e talento especializado.
  • Proposta da Siemens: combinar tecnologia com formação estruturada e parcerias institucionais.
  • Exemplo prático: programas como ATEC e Accelerate NextGen, e colaboração com universidades e centros técnicos.

Impactos e desafios para políticas públicas e empresas

O diagnóstico tem implicações claras para políticas públicas: sem investimento coordenado em formação e sem mecanismos que incentivem a mobilidade de conhecimento entre universidades, empresas e administração pública, a capacidade de implementar infraestruturas críticas para a descarbonização fica limitada. Do lado empresarial, a necessidade é dupla: adaptar produtos e serviços e, simultaneamente, investir em desenvolvimento de competências para que a tecnologia instalada possa ser operada e mantida com qualidade.

Iniciativa Objetivo
ATEC Formação profissional financiada para jovens e atualização de competências de ativos
Accelerate NextGen Competição académica para soluções que acelerem a transição energética e digitalização

O desafio colocado por Luís Marçal é também um apelo à ação coletiva: a tecnologia por si só não resolve o problema se não houver pessoas formadas para a implementar e operar. A experiência de empresas com longa presença em Portugal, como a Siemens, oferece um caminho prático — combinar oferta tecnológica com programas de formação e cooperação intersectorial —, mas a escala do desafio exige respostas coordenadas de Governo, academia e indústria.

Num momento em que a agenda da transição energética ganha prioridade nas políticas públicas e nos investimentos privados, o enfoque nas competências surge como condição necessária para que os projetos não fiquem apenas na promessa tecnológica, mas se traduzam em infraestruturas e serviços eficazes e sustentáveis.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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