Autarca afirma desconhecer deliberação e acusa "pequeno grupo" de controlar partido
O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Mário Passos, manifestou esta sexta-feira surpresa e incredulidade face a uma notícia sobre uma alegada retirada de confiança política pela Comissão Política do PSD. Em comunicado, o autarca sustentou que a decisão lhe causa "estranheza" e afirmou não ter conhecimento da realização de qualquer plenário ou convocatória para uma reunião da Comissão Política que o pudesse envolver.
"Desconheço a realização de qualquer plenário para auscultar os militantes sobre um assunto desta dimensão. Igualmente estranho a referência a uma alegada reunião da Comissão Política realizada esta semana, uma vez que sou membro desse órgão por inerência do cargo que exerço e não recebi qualquer convocatória para a mesma".
No texto divulgado, Mário Passos recorda o seu percurso dentro do Partido Social Democrata e sublinha que foi eleito pela coligação «Mais Ação. Mais Famalicão», assumindo com "orgulho e profundo sentido de responsabilidade" as funções que desempenha. Enumera ainda cargos anteriores como prova da sua ligação ao partido.
O presidente da Câmara reforça que a sua atuação como mandatário público se orienta pelo compromisso de honrar o mandato democrático recebido dos cidadãos e que continuará a privilegiar o interesse público em detrimento de "interesses particulares" ou "jogos de poder" promovidos por um grupo restrito. Segundo o comunicado, a lógica do aparelho não pode sobrepor-se ao interesse coletivo.
O autarca compromete-se a manter o exercício das suas funções com "serenidade, sentido de responsabilidade e total dedicação a Vila Nova de Famalicão, aos famalicenses e ao Partido Social Democrata dos valores de Sá Carneiro" e alerta para a possibilidade de que as informações tenham origem num "pequeno grupo de pessoas que se julga dono do partido – sem nunca o poder ser".
- Reivindicação de legitimidade: Passos invoca o mandato eleitoral e a sua história no PSD.
- Questionamento formal: o autarca alega não ter sido convocado para qualquer reunião da Comissão Política.
- Risco de divisão: o comunicado aponta para tensões internas e acusa mecanismos de controlo partidário.
A notícia sobre a retirada de confiança, tal como hoje divulgada, não foi acompanhada no comunicado por pormenores sobre eventuais diligências futuras do autarca nem por posições oficiais da Comissão Política que a teria aprovado. A situação coloca assim uma questão central sobre as formas de decisão interna no PSD e o peso das estruturas partidárias face aos mandatos autárquicos.
| Função | Período / Observação |
|---|---|
| Presidente da Câmara Municipal | Atualmente em segundo mandato |
| Presidente da Comissão Política Concelhia | 2002–2004 e 2010 |
| Vereador eleito pelo PSD | Em executivos de Armindo Costa e Paulo Cunha |
Perante esta tensão, resta agora conhecer a resposta formal da estrutura concelhia e nacional do PSD e se haverá pedidos de esclarecimento ou processos internos que clarifiquem se houve, de facto, uma deliberação vinculativa da Comissão Política. Enquanto isso, o presidente da Câmara reafirma a prioridade pelo investimento e pela causa pública no concelho, recusando subordinar o mandato a estratégias de controlo interno.