As primeiras imagens divulgadas do futuro aeroporto da Grande Lisboa já permitem antecipar a escala da intervenção: o projeto, designado Luís de Camões, prevê duas pistas, mais de 60 portas de embarque, cerca de 76 pontes de ligação às aeronaves e uma capacidade máxima estimada em 85 milhões de passageiros por ano.
Segundo o relatório técnico da ANA – Aeroportos de Portugal, a infraestrutura terá igualmente cerca de 120 posições de estacionamento para aviões e uma capacidade inicial projetada em 56 milhões de passageiros anuais. A construção está orçamentada entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros a preços de 2024, com um horizonte de abertura apontado para 2035 e um período de construção estimado em seis anos.
Calendário e etapas seguintes
O processo administrativo e técnico ainda está em curso. Para as próximas semanas e anos estão previstas várias entregas obrigatórias: até final de julho será apresentado o estudo de impacte ambiental, seguindo-se o relatório financeiro no início de 2027 e mais elementos para apoiar decisões subsequentes. A desmilitarização do campo de tiro de Alcochete foi calendarizada até 2029, passo considerado fundamental para libertar os terrenos necessários.
“Projeto nacional transformador” que vai “permitir dar uma resposta às necessidades reais da aviação” na região da Grande Lisboa.
Fonte institucional citada no relatório — o secretário de Estado das Infraestruturas — qualificou o empreendimento como um projeto de dimensão nacional, sublinhando a expectativa de acomodar a crescente demanda aérea da região e de melhorar a capacidade operacional em relação ao atual aeroporto Humberto Delgado.
Impactos locais e infraestruturas de suporte
A gestão do processo está a cargo da EGAPA, entidade pública mandatada para coordenar o planeamento territorial e as infraestruturas de apoio. Desde já estão em execução estudos para a integração das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias que liguem o novo aeroporto ao tecido urbano da Grande Lisboa, assim como o redesenho do espaço aéreo para acomodar as operações.
- Capacidade máxima prevista: 85 milhões de passageiros/ano
- Pistas previstas: 2
- Portas de embarque: 64; pontes: 76
- Custo estimado: 7,9–8,9 mil milhões de euros (preços 2024)
O lançamento de uma plataforma interativa do projeto está previsto até ao final do ano, medida que deverá permitir aos cidadãos acompanhar os desenvolvimentos e consultar elementos técnicos. Para os residentes da região, o maior impacto prático decorrerá das obras de acesso — rodoviárias e ferroviárias — e das operações de construção, bem como das alterações à ocupação do território envolvente, com implicações em mobilidade, ruído e emprego local.
| Item | Dado |
|---|---|
| Portas de embarque | 64 |
| Pontes de embarque | 76 |
| Capacidade inicial | 56 milhões |
| Capacidade máxima | 85 milhões |
| Posições de estacionamento | 120 |
Enquanto decorrem os processos de avaliação e licenciamento, o futuro aeroporto coloca na agenda pública questões de planeamento urbano e ambiental que serão determinantes para a aceitação social do projeto. A leitura dos relatórios técnicos e do estudo de impacte ambiental, quando disponibilizados, será determinante para aferir efeitos concretos sobre os concelhos limítrofes e sobre a mobilidade na região.