Lisboa, 13 de julho — O partido Republicanos veio a público negar ter fechado apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, aprofundando o isolamento do filho do ex-presidente numa fase precoce da corrida eleitoral. A nota oficial, divulgada no domingo, surge após veiculação de que o apoio teria sido condicionado à indicação do líder da sigla, Marcos Pereira, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Negação formal e sondagens internas
Assinada pelo próprio Marcos Pereira, a declaração do Republicanos é categórica: nunca houve negociação para vincular apoio presidencial a nomeação ao STF. A direção do partido refere também uma pesquisa encomendada internamente que, segundo a nota, aponta «sentimento de frustração» face à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e uma preferência pela neutralidade na eleição presidencial, pelo menos até à definição oficial na convenção nacional.
"Essa hipótese é absolutamente falsa e jamais foi objeto de qualquer conversa ou negociação"
A afirmação veio igualmente reforçada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, que desmentiu qualquer condicionamento do Republicanos à indicação de Marcos Pereira ao STF. O episódio expõe as dificuldades da pré-campanha em construir apoios no chamado Centrão, bloco que tem sido determinante em negociações de coligações e apoios estratégicos.
Consequências para a candidatura e o espaço político
O recuo do Republicanos agrava a fratura à direita: a federação União Brasil–Progressistas (União Progressista) também não deverá apoiar o senador, por divergências regionais. Fontes públicas e notas recentes mostram que a direita enfrenta resistências internas à convergência em torno de Flávio, com estados e dirigentes a defenderem posturas distintas — desde coligações formais com o atual Presidente até posições de independência.
- Isolamento político: a falta de apoio oficial de siglas do Centrão compromete a capacidade de agregação da pré-candidatura.
- Divergência regional: lideranças estaduais do Republicanos já manifestaram preferências diversas, refletindo desalinho interno.
- Riscos de imagem: menções a ligações financeiras e atritos familiares agravam a perceção pública sobre a viabilidade eleitoral.
Mapa de apoios e posições
| Partido/Bloco | Posição face a Flávio Bolsonaro |
|---|---|
| Republicanos | Negou apoio; indica preferência por neutralidade até convenção |
| União Brasil–Progressistas | Não deverá apoiar, por divisões regionais |
| PL | Apoio interno irregular; coordenação de pré-campanha tenta articular aliados |
Para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a conjunção entre recusa formal do Republicanos e a expectativa de que a federação União Progressista não lhe ofereça suporte representa um obstáculo táctico relevante. A situação ganha contornos mais complexos devido a episódios recentes que trouxeram à luz relações com figuras do setor financeiro e a existência de atritos dentro da própria família Bolsonaro, fatores que dificultam a consolidação de uma coligação ampla.
O desfecho sobre eventuais apoios ficará dependente da agenda partidária nas próximas semanas, em especial das decisões formais nas convenções estaduais e nacional. Até lá, a nota do Republicanos e os desmentidos públicos reforçam um cenário de fragmentação do espaço conservador — um dado que pode redistribuir forças na contenda presidencial se mantiver-se até ao início efectivo da campanha.