Na primeira semana de julho, a Universidade de Évora recebeu um encontro do Laboratório Conjunto China-Portugal para as Ciências da Conservação do Património Cultural, reafirmando o papel da cidade como pólo de cooperação internacional na investigação aplicada ao património. A sessão decorreu na Sala dos Docentes e contou com representantes da Soochow University e da City University of Macau, além de responsáveis locais.
Revalidação e continuidade de projetos
O encontro serviu para sublinhar a revalidação do estatuto do laboratório como laboratório-chave pelo Governo Chinês, um reconhecimento que lhe garante financiamento e cinco anos adicionais para desenvolver iniciativas conjuntas. O reitor da UÉ, António Candeias, participou no evento e fez um balanço do trabalho que tem vindo a ser feito em conjunto com as universidades chinesas, destacando trocas de investigadores e projetos aplicados.
Para além das intervenções institucionais, a sessão incluiu uma visita guiada à exposição “Youth and Traditional Building Craftsmanship: Outstanding Case Exhibition”, que apresenta trabalhos e estudos sobre ofícios tradicionais e técnicas de construção histórica — temas centrais para os projetos de conservação em curso.
Objetivos práticos e áreas de investigação
Os responsáveis referiram que o laboratório não se limita à investigação teórica: desenvolve novas tecnologias e soluções direcionadas para a conservação, restauro e valorização do património. Entre as linhas de trabalho apontadas estão o estudo de materiais modernos compatíveis com edifícios antigos, metodologias para intervenções de conservação e abordagens integradas que ligam planeamento urbano e sustentabilidade territorial.
"o património é fundamental para a sustentabilidade das nossas sociedades"
António Candeias destacou o valor do património como fator de desenvolvimento local, defendendo que a partilha de boas práticas entre equipas chinesas e portuguesas potencia resultados com aplicação direta em territórios como o Alentejo.
O diálogo entre universidades tem permitido não só a mobilidade de investigadores, mas também a concretização de projetos experimentais que poderão ser testados em contextos patrimoniais reais, criando conhecimento transferível para conservadores, técnicos de restauro e gestores urbanos.
- Parceria académica: UÉ, Soochow University e City University of Macau.
- Reconhecimento: revalidação do estatuto de laboratório-chave por cinco anos.
- Foco: desenvolvimento de materiais, compatibilidade para intervenções e planeamento urbano patrimonial.
| Instituição | Função/Contributo |
|---|---|
| Universidade de Évora | Coordenadora local, anfitriã de eventos e estudos aplicados |
| Soochow University | Parceiro científico e investigador |
| City University of Macau | Parceiro em investigação e intercâmbio |
Para os habitantes do distrito de Évora, a consolidação desta parceria internacional traduz-se em oportunidades práticas: intervenções de conservação mais informadas, formação especializada para técnicos locais e eventual atração de projetos que valorizem bens patrimoniais enquanto motores de desenvolvimento regional. Além disso, a presença de equipas estrangeiras e o intercâmbio de conhecimento podem fomentar iniciativas de divulgação e educação patrimonial junto das comunidades.
O laboratório foi criado em 2020 no âmbito da iniciativa Belt and Road do Governo Chinês e, desde então, tem promovido colaborações que combinam investigação científica com aplicações direcionadas ao terreno. A revalidação recente reforça a intenção de aprofundar essa cooperação nos próximos cinco anos, com impacto direto nas políticas e práticas de conservação em Portugal e em particular no Alentejo.
Os próximos passos anunciados incluem a calendarização de projetos conjuntos, a mobilidade de investigadores entre as instituições parceiras e a concretização de soluções tecnológicas testadas em casos reais de intervenção patrimonial.