Economia

Donativos e PPR geraram mais de 133 milhões de euros em benefícios fiscais em 2025

O Relatório da Despesa Fiscal de 2025 revela que donativos contabilizados no IRS totalizaram mais de 21 milhões de euros em deduções à coleta, enquanto Planos de Poupança Reforma e produtos afins originaram benefícios fiscais de 112,1 milhões de euros.

Donativos e PPR geraram mais de 133 milhões de euros em benefícios fiscais em 2025
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Relatório aponta reforço das deduções fiscais por donativos e PPR

O Relatório da Despesa Fiscal de 2025 mostra que as opções de dedução escolhidas pelos contribuintes voltaram a traduzir-se em montantes relevantes na contabilidade fiscal. De acordo com o documento, as deduções à coleta associadas a donativos totalizaram um valor superior a 21 milhões de euros, repartidos entre instituições religiosas e outras entidades do terceiro sector. Em paralelo, os benefícios fiscais associados a Planos de Poupança Reforma (PPR) e produtos afins somaram 112,1 milhões de euros.

Os dados do relatório formalizam tendências que o sistema fiscal português já vinha a registar: a componente voluntária da filantropia individual e a apetência por produtos de poupança com vantagem fiscal continuam a pesar nas estatísticas da despesa fiscal. No caso dos donativos, o documento distingue 8,1 milhões de euros atribuídos a igrejas e instituições religiosas e 13,3 milhões de euros canalizados para outras entidades, totalizando assim os mais de 21 milhões referidos.

Quem beneficia e quais os efeitos?

As deduções à coleta por donativos funcionam como um incentivo fiscal direto à doação privada. As instituições religiosas e organizações do terceiro sector — que incluem instituições de solidariedade social, associações culturais e outras entidades sem fins lucrativos — são as recipientes desses recursos indiretos, na medida em que o Fisco reduz a carga fiscal dos doadores. O efeito prático é duplo: por um lado, fomenta-se a canalização de fundos para organizações não estatais; por outro, reduz-se a receita fiscal arrecadada pelo Estado, integrando-se na conta da despesa fiscal.

Os números em perspectiva

A seguir, um resumo dos valores divulgados no relatório:

Rubrica Montante (€)
Donativos a igrejas e instituições religiosas 8.100.000
Donativos a outras entidades 13.300.000
Subtotal: donativos (deduções à coleta) 21.400.000
Planos de Poupança Reforma e produtos afins 112.100.000
  • 21,4 milhões de euros em deduções por donativos, segundo o relatório;
  • 8,1 milhões de euros atribuídos a instituições religiosas;
  • 13,3 milhões de euros destinados a outras entidades do terceiro sector;
  • 112,1 milhões de euros em benefícios fiscais ligados a PPR e produtos similares.

Do ponto de vista orçamental, estes montantes são um indicador da política fiscal indireta que governa comportamentos económicos. Incentivos a PPR visam, tradicionalmente, reforçar a poupança privada para a reforma e reduzir a dependência exclusiva das prestações públicas. Já as deduções por donativos procuram potenciar a capacidade das organizações sem fins lucrativos de prestar serviços que, em muitos casos, complementam respostas públicas nas áreas social, cultural e educativa.

Consequências e leituras políticas

Embora os valores divulgados não representem uma fatia esmagadora do orçamento do Estado, traduzem escolhas de política fiscal que combinam incentivo e renúncia de receita. Para os beneficiários — instituições religiosas e entidades do terceiro sector — estas deduções reforçam fontes de financiamento privadas. Para o Estado, significam menor arrecadação imediata, com a expectativa de que o investimento social e a poupança privada compensem esse efeito a médio prazo.

Perante estes números, a discussão pública tende a focar-se em duas frentes: a eficácia dos incentivos para alterar comportamentos (mais poupança para a reforma; mais donativos privados) e a transparência dos fluxos financeiros para organizações recetoras. A monitorização e avaliação da despesa fiscal permanecem essenciais para aferir se as deduções produzem os resultados socioeconómicos pretendidos.

O relatório aponta, assim, para uma economia em que a política fiscal continua a usar instrumentos de incentivo para moldar decisões individuais e coletivas. O balanço entre renúncia de receita e benefícios sociais será um tema recorrente na agenda económica nacional nos próximos anos.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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