Revisão em alta após segundo trimestre mais forte
O relatório trimestral do NECEP — Católica Lisbon Forecasting Lab revela que a economia portuguesa cresceu 0,6% em termos sequenciais e 2,2% em termos homólogos no segundo trimestre do ano. A partir destes números, as perspectivas macroeconómicas para o país foram ajustadas, com a estimativa de crescimento para 2026 revista em alta, de 1,5% para 1,8%.
“A maioria dos indicadores de alta frequência aponta para uma melhora na atividade econômica e no sentimento nos últimos meses, agora que a fase mais crítica do aumento dos preços da energia e interrupções nas cadeias de suprimentos, causada pelo conflito no Oriente Médio, foi superada”
O documento sublinha que o panorama recente melhora à medida que os choques de oferta ligados à energia e às cadeias logísticas se atenuaram. Ainda assim, os analistas do NECEP alertam para a dificuldade de incorporar plenamente na estimativa a dinâmica demográfica observada: a população em idade ativa registou um crescimento de 0,8% face ao trimestre anterior no 2.º trimestre, um fator que pode influenciar produtividade, emprego e consumo.
Projeções para a inflação e comparativo com a zona euro
No que respeita aos preços, o relatório do NECEP aponta para uma subida do Índice de Preços no Consumidor de 2,3% para 2,5%, afirmando que a inflação deverá manter‑se próxima da meta de política monetária de 2% até ao final de 2028, com um valor intermédio de 2,2% em 2027. Em contraste, espera‑se que a economia da zona do euro cresça apenas 0,4% em 2026, uma revisão em baixa de 0,4 pontos percentuais face à estimativa anterior.
| Ano | Crescimento (Portugal) | Inflação (CPI) |
|---|---|---|
| 2026 | 1,8% | 2,5% |
| 2027 | 1,5% | 2,2% |
| 2028 | 1,9% | ~2,0% |
Consequências e riscos
Esta revisão em alta reforça um quadro moderadamente favorável para a economia portuguesa no curto prazo, com impactos possíveis nas decisões de investimento e orçamentais. Contudo, subsistem riscos: a dependência externa de energia, choques geopolíticos e a evolução demográfica podem complicar a transição para um crescimento mais sustentado e inclusivo. A incapacidade de integrar plenamente a variação da população em idade ativa nas estimativas aponta para incertezas sobre a evolução do mercado de trabalho e da produtividade.
- Revisão do crescimento para 1,8% em 2026 após 2.º trimestre mais forte;
- Inflação projetada a manter‑se em torno da meta de 2% até 2028;
- Zona do euro com crescimento mais fraco (0,4% em 2026), pressionando o enquadramento externo.
Em suma, o cenário descrito pelo NECEP aponta para uma recuperação moderada sustentada por menor pressão sobre preços de energia e normalização das cadeias de abastecimento, mas a trajectória requere vigilância quanto a riscos externos e às implicações da demografia no mercado de trabalho. A evolução dos próximos trimestres será determinante para confirmar se a economia consegue consolidar estas melhorias sem gerar pressões inflacionistas adicionais.