Economia

Governo aprova contribuição temporária sobre lucros extraordinários das petrolíferas

O Executivo aprovou em Conselho de Ministros uma Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o setor petrolífero que incide sobre lucros considerados extraordinários. A receita destinata-se a mitigar o impacto da subida dos combustíveis e a financiar investimentos para reduzir a dependência dos fósseis.

Governo aprova contribuição temporária sobre lucros extraordinários das petrolíferas
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

O Governo aprovou esta quinta-feira uma Contribuição de Solidariedade Temporária destinada a tributar a parcela dos lucros das empresas petrolíferas que exceda «significativamente» a média registada nos anos anteriores, anunciou fonte governamental citada pela Lusa. A medida, com carácter excepcional e temporário, pretende direcionar receitas para atenuar o impacto dos preços dos combustíveis nas famílias e nas empresas vulneráveis e apoiar investimentos que reduzam a dependência dos combustíveis fósseis.

Contexto e objectivos da medida

Segundo o Governo, a contribuição incidirá apenas sobre os ganhos considerados extraordinários, numa altura em que o sector tem beneficiado da valorização das cotações internacionais. Em paralelo, Portugal foi um dos cinco Estados‑membros — juntamente com Alemanha, Espanha, Itália e Áustria — a pedir à Comissão Europeia um mecanismo comunitário para tributar lucros extraordinários das empresas energéticas, na linha do que foi aplicado durante a crise energética de 2022.

Destinação das receitas

O Executivo diz que a receita desta contribuição será usada para:

  • Medidas de apoio às famílias e agentes económicos mais afetados pelo aumento dos preços dos combustíveis;
  • Financiamento de investimentos destinados a reduzir a dependência de combustíveis fósseis;
  • Medidas temporárias que ajudem a conter pressões inflacionistas sem aumentar de forma permanente a despesa pública.

Ligação às experiências passadas e dados recentes

Portugal já aplicou uma tributação sobre os chamados windfall profits entre 2022 e 2023, quando a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia levou a medidas semelhantes. Na altura, a contribuição sobre os lucros excessivos das empresas de combustíveis fósseis gerou cerca de €8,3 milhões em receitas, valor abaixo das expectativas iniciais do Executivo.

O anúncio da nova contribuição surge dias depois de a petrolífera nacional Galp divulgar um resultado de €812 milhões de lucro no primeiro semestre, um aumento de 44% face ao mesmo período de 2025, impulsionado por maior produção no Brasil e pela valorização do Brent.

Item Valor Comentário
Lucro Galp 1S €812M +44% face ao 1S de 2025
Receita da contribuição 2022–23 €8,3M Resultado da anterior aplicação da taxa sobre lucros extraordinários

Impactos e questões por clarificar

Embora a intenção declarada seja mitigar choques sobre rendimentos e incentivar a transição energética, permanecem várias questões por esclarecer: a definição exacta do limiar que qualificará «lucros extraordinários», o desenho do mecanismo de cálculo, a duração concreta da contribuição e o impacto sobre investimento e preços internos. Do ponto de vista político, a medida insere‑se numa estratégia que alia pressão a nível europeu — pedido conjunto a Bruxelas com outros quatro países — a respostas nacionais.

O precedente de 2022–2023 mostra que a receita efectiva pode ficar aquém das expectativas. Por outro lado, a divulgação de lucros elevados por parte de empresas como a Galp, numa fase de subida das cotações internacionais, torna plausível a existência de rendimento extraordinário tributável, o que pode permitir angariar fundos sem recorrer a medidas que aumentem a dívida pública.

O Ministério das Finanças deverá divulgar nos próximos dias os pormenores técnicos da contribuição, incluindo o quadro temporal, o critério exacto de cálculo e as rubricas orçamentais que receberão as receitas. Esses elementos serão decisivos para avaliar o alcance real da medida sobre a protecção do rendimento das famílias e sobre os incentivos à descarbonização.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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