Experiência vietnamita com pomares de jaca e lições para a Horta
Um projecto agrícola na comuna de Thanh My Tay, no Vietname, tem registado resultados que evidenciam a viabilidade económica da conversão de áreas de cultivo de arroz para pomares de jaca. O exemplo documentado envolve um agricultor local e uma associação de produtores que, em conjunto, melhoraram a rentabilidade e reduziram a dependência do cultivo tradicional de arroz. Para os agricultores da Horta, com a característica de pequenas explorações e mercados locais restritos, a experiência traz elementos úteis de análise: rendimento por área, esforço de manutenção, calendário de colheita e organização cooperativa.
O caso citado descreve uma exploração com 1 200 hectares onde foram plantadas 300 jaqueiras, chegando à segunda safra. Segundo o agricultor, cada árvore produziu entre 3 a 4 jaqueiras na primeira colheita, com frutos de mais de 10 kg cada. Após custos, o agricultor reportou um lucro aproximado de 140 milhões VND. Com o preço de mercado indicado de 15 000 VND/kg, a opção pelo pomar mostrou-se financeiramente mais atractiva do que manter a cultura de arroz na mesma área.
“Hoje em dia, os agricultores com pouca terra arável e perto de estradas querem mudar para culturas mais adequadas. Com os campos de arroz limitados, a renda do cultivo de arroz não é muita.”
Além dos resultados económicos, o relato salienta aspectos práticos: a exigência de trabalho é maior nos primeiros anos, mas diminui quando as árvores começam a frutificar; o período de colheita pode ser curto — referido como 7 dias — e os comerciantes locais recolhem, pesam e pagam no acto, garantindo liquidez aos produtores. Ainda assim, a experiência foi apoiada por um esforço organizativo: a Associação de Agricultores local promoveu a constituição de uma associação profissional de cultivo em hortas comunitárias com 14 membros, espaço onde produtores trocam técnicas e acompanham preços de mercado.
- Dados de produção: 1 200 hectares, 300 árvores, 3–4 frutos/árvore, frutos > 10 kg.
- Rendimento e mercado: lucro declarado de 140 milhões VND; preço indicado 15 000 VND/kg.
- Organização: associação profissional de 14 membros e colheita concentrada (~7 dias).
Para a realidade da Horta, com predomínio de pequenas parcelas, proximidade a mercados locais e custos logísticos próprios das ilhas, vários pontos merecem atenção dos agricultores e técnicos:
- Avaliar adaptabilidade climática e fitossanitária de culturas alternativas (a jaca é apenas um exemplo regional);
- Estimar custos iniciais de instalação e o horizonte temporal até à primeira produção comercializável;
- Organizar formas de cooperação para gestão de colheitas, comercialização e estabilidade de preços.
Uma conversão bem-sucedida exige, além da viabilidade técnica, um mercado ou circuitos de comercialização fiáveis. No caso vietnamita, a existência de compradores que recolhem e pagam rapidamente foi um fator crítico. Na Horta, a criação de canais de venda — desde mercados locais a operadores regionais — e o apoio técnico podem reduzir o risco para pequenos produtores que considerem mudar de cultura.
| Item | Valor (fonte) |
|---|---|
| Área da exploração | 1 200 hectares |
| Número de jaqueiras | 300 |
| Produção por árvore (1.ª safra) | 3–4 frutos |
| Peso médio do fruto | > 10 kg |
| Lucro após custos | 140 milhões VND |
| Preço indicado | 15 000 VND/kg |
| Membros da associação | 14 |
Não se trata de uma recomendação imediata para adotar exactamente a mesma cultura na Horta, onde solo, clima e mercados são diferentes. Mas a experiência vietnamita reforça duas mensagens claras para agricultores e decisores locais: diversificação pode melhorar rendimentos e a organização colectiva facilita a gestão de riscos e o acesso a mercados. Para quem no concelho pondera alternativas ao cultivo tradicional, vale a pena integrar essa análise em estudos locais que considerem solos, água disponível, logística e canais de escoamento.
O diálogo entre técnicos agrícolas, associações de produtores e municípios pode transformar experiências internacionais em projectos experimentais adaptados à especificidade dos Açores, mitigando riscos e testando escalas de produção mais condizentes com a realidade da Horta.