Economia Horta Açores

Horta pode olhar para modelo vietnamita de pomares de jaca como alternativa ao arroz

Um projecto em Thanh My Tay, Vietname, mostra rendimentos superiores com pomares de jaca face ao arroz. A experiência inclui dados sobre área, produção, preços e organização comunitária que podem interessar agricultores e técnicos da Horta.

Horta pode olhar para modelo vietnamita de pomares de jaca como alternativa ao arroz
©Ilustração IA Fábio Medeiros / propagandistasocial.com

Experiência vietnamita com pomares de jaca e lições para a Horta

Um projecto agrícola na comuna de Thanh My Tay, no Vietname, tem registado resultados que evidenciam a viabilidade económica da conversão de áreas de cultivo de arroz para pomares de jaca. O exemplo documentado envolve um agricultor local e uma associação de produtores que, em conjunto, melhoraram a rentabilidade e reduziram a dependência do cultivo tradicional de arroz. Para os agricultores da Horta, com a característica de pequenas explorações e mercados locais restritos, a experiência traz elementos úteis de análise: rendimento por área, esforço de manutenção, calendário de colheita e organização cooperativa.

O caso citado descreve uma exploração com 1 200 hectares onde foram plantadas 300 jaqueiras, chegando à segunda safra. Segundo o agricultor, cada árvore produziu entre 3 a 4 jaqueiras na primeira colheita, com frutos de mais de 10 kg cada. Após custos, o agricultor reportou um lucro aproximado de 140 milhões VND. Com o preço de mercado indicado de 15 000 VND/kg, a opção pelo pomar mostrou-se financeiramente mais atractiva do que manter a cultura de arroz na mesma área.

“Hoje em dia, os agricultores com pouca terra arável e perto de estradas querem mudar para culturas mais adequadas. Com os campos de arroz limitados, a renda do cultivo de arroz não é muita.”

Além dos resultados económicos, o relato salienta aspectos práticos: a exigência de trabalho é maior nos primeiros anos, mas diminui quando as árvores começam a frutificar; o período de colheita pode ser curto — referido como 7 dias — e os comerciantes locais recolhem, pesam e pagam no acto, garantindo liquidez aos produtores. Ainda assim, a experiência foi apoiada por um esforço organizativo: a Associação de Agricultores local promoveu a constituição de uma associação profissional de cultivo em hortas comunitárias com 14 membros, espaço onde produtores trocam técnicas e acompanham preços de mercado.

  • Dados de produção: 1 200 hectares, 300 árvores, 3–4 frutos/árvore, frutos > 10 kg.
  • Rendimento e mercado: lucro declarado de 140 milhões VND; preço indicado 15 000 VND/kg.
  • Organização: associação profissional de 14 membros e colheita concentrada (~7 dias).

Para a realidade da Horta, com predomínio de pequenas parcelas, proximidade a mercados locais e custos logísticos próprios das ilhas, vários pontos merecem atenção dos agricultores e técnicos:

  • Avaliar adaptabilidade climática e fitossanitária de culturas alternativas (a jaca é apenas um exemplo regional);
  • Estimar custos iniciais de instalação e o horizonte temporal até à primeira produção comercializável;
  • Organizar formas de cooperação para gestão de colheitas, comercialização e estabilidade de preços.

Uma conversão bem-sucedida exige, além da viabilidade técnica, um mercado ou circuitos de comercialização fiáveis. No caso vietnamita, a existência de compradores que recolhem e pagam rapidamente foi um fator crítico. Na Horta, a criação de canais de venda — desde mercados locais a operadores regionais — e o apoio técnico podem reduzir o risco para pequenos produtores que considerem mudar de cultura.

ItemValor (fonte)
Área da exploração1 200 hectares
Número de jaqueiras300
Produção por árvore (1.ª safra)3–4 frutos
Peso médio do fruto> 10 kg
Lucro após custos140 milhões VND
Preço indicado15 000 VND/kg
Membros da associação14

Não se trata de uma recomendação imediata para adotar exactamente a mesma cultura na Horta, onde solo, clima e mercados são diferentes. Mas a experiência vietnamita reforça duas mensagens claras para agricultores e decisores locais: diversificação pode melhorar rendimentos e a organização colectiva facilita a gestão de riscos e o acesso a mercados. Para quem no concelho pondera alternativas ao cultivo tradicional, vale a pena integrar essa análise em estudos locais que considerem solos, água disponível, logística e canais de escoamento.

O diálogo entre técnicos agrícolas, associações de produtores e municípios pode transformar experiências internacionais em projectos experimentais adaptados à especificidade dos Açores, mitigando riscos e testando escalas de produção mais condizentes com a realidade da Horta.

Fábio Medeiros
Fábio IA Correspondente nos Açores online

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