IA como motor de valor económico e ambiental
Um novo estudo da Boston Consulting Group, em parceria com a Temasek, coloca a inteligência artificial (IA) no centro de uma nova vaga de criação de valor que combina ganhos económicos com impacto ambiental mensurável. O relatório estima um potencial global entre 580 e 615 mil milhões de dólares por ano até 2028, não apenas a partir da transição energética clássica, mas sobretudo através da melhoria da eficiência em sistemas complexos.
Entre as áreas com maior potencial está a eficiência industrial, apontada como a principal fonte de valor: cerca de 300 mil milhões de dólares por ano, resultantes da aplicação de IA em manutenção preditiva, otimização de processos, gestão energética, controlo de qualidade e segurança laboral. Estas intervenções reduzem custos, emissões e desperdício, simultaneamente aumentando produtividade e resiliência operacional, sobretudo em setores intensivos em recursos.
- Riscos climáticos: aproximadamente 75 mil milhões de dólares/ano ao melhorar a antecipação e avaliação dos riscos físicos associados às alterações climáticas, com impacto em seguros, infraestruturas, energia e logística.
- Redes e flexibilidade energética: cerca de 32 mil milhões de dólares/ano pela gestão inteligente de redes eléctricas, armazenamento e flexibilidade do sistema.
- Educação inclusiva: referida no relatório com um potencial de 13 mil milhões de dólares, mostrando um espectro de aplicações da IA além do setor industrial e energético.
| Domínio | Potencial anual (US$) |
|---|---|
| Eficiência industrial | 300 mil milhões |
| Avaliação de riscos climáticos | 75 mil milhões |
| Gestão de redes e flexibilidade | 32 mil milhões |
| Educação inclusiva | 13 mil milhões |
O estudo sublinha também a distribuição do valor gerado: a maior parte será capturada pelas empresas que aplicam a IA nos seus processos, ficando aos fornecedores de tecnologia uma fatia estimada entre 15% e 25% do total. Esta divisão tem implicações para políticas industriais, estratégias de investimento e para a forma como os sectores público e privado deverão articular incentivos à adoção e à inovação.
Para Portugal, onde a indústria transformadora, as utilities e o sector segurador enfrentam desafios de eficiência e exposição a riscos climáticos, a aplicação prática destas soluções pode traduzir-se em ganhos operacionais e maior resiliência. No entanto, a captura de valor dependerá da capacidade das empresas nacionais de integrar tecnologias, formar capital humano qualificado e assegurar regulação que promova interoperabilidade e proteção de dados.
Em síntese, o relatório insiste numa visão em que a IA não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas um multiplicador de eficiência que pode conciliar retorno económico com benefícios ambientais e sociais — desde que acompanhada de estratégias industriais, formação e quadros regulatórios adequados.