O Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA) estimou que a produção de uva para vinho certificado no arquipélago rondará as 900 toneladas em 2026, o que representa uma redução de até 25% face ao ano anterior, quando se registou o volume mais elevado de sempre. Apesar da diminuição, o instituto considera que este continuará a ser um ano de produção positivo para a fileira vitivinícola regional.
Contexto e comparação com 2025
Em 2025, a produção de uva para vinho certificado nos Açores ultrapassou as 1.100 toneladas, um patamar histórico que eleva a referência para este ciclo. A previsão para 2026, embora inferior, situa‑se ainda acima dos níveis verificados nos quatro a cinco anos imediatamente anteriores, em que as colheitas foram significativamente mais baixas.
“O mês de maio foi um mês com um clima difícil e o mês de maio é determinante... Mesmo assim, as vinhas aguentaram‑se muito bem e, portanto, as produções vão ser muito razoáveis este ano.” — Cláudio Lopes, presidente do conselho diretivo do IVVA
Riscos fitossanitários e resposta institucional
O IVVA chamou a atenção para o risco permanente das pragas, que nos Açores são maioritariamente causadas por aves como o pombo‑torcaz, a rola‑turca e o melro preto, além de lagartos e coelhos que podem afetar as vinhas em fases iniciais do ciclo vegetativo. Para fazer face a essas ameaças, o instituto propôs à tutela a criação de um grupo de trabalho dedicado ao tema. Esse grupo deverá elaborar em breve um relatório com sugestões de intervenção a apresentar ao Governo Regional.
- Produção prevista 2026: ~900 toneladas de uva para vinho certificado.
- Produção 2025: >1.100 toneladas (recorde histórico).
- Principais preocupações: pragas (aves, lagartos, coelhos) e impacto do clima.
O valor da identidade vitícola açoriana
O presidente do IVVA sublinhou também o potencial distintivo do vinho dos Açores, vincado pelas castas locais — em particular o Verdelho — e por duas variedades descritas como únicas no mundo, que contribuem para a afirmação do produto no mercado e para a atracção de valor acrescentado. Esse enquadramento varietal, aliada a um clima e a solos específicos, continua a ser um argumento central para produtores que procuram consolidar canais de comercialização e turismo associado.
| Ano | Produção estimada/registrada (ton) |
|---|---|
| 2025 | >1.100 |
| 2026 (estimativa) | ~900 |
Para os produtores e agentes ligados ao sector, as próximas semanas — até ao início da vindima, previsto para meados de agosto — serão decisivas. Além das medidas de protecção contra pragas, a atenção centrar‑se‑á na evolução climática e em eventuais intervenções técnicas que permitam optimizar a qualidade e a quantidade da colheita. A criação do grupo de trabalho formaliza uma aposta em soluções concertadas entre técnicos, produtores e Governo Regional para mitigar riscos e valorizar a produção açoriana.