O ministro da Administração Interna, Luís Neves, negou este domingo ter ameaçado o líder do Chega, André Ventura, durante o debate quinzenal de 27 de maio, respondendo às acusações públicas do partido e ao pedido de uma reunião urgente com o Presidente da República.
Versões contraditórias sobre o incidente no Parlamento
Em declarações ao canal Now, o titular da pasta esclareceu a formulação que o Chega lhe imputa, afirmando que não disse as expressões alegadas pelo partido. O ministro declarou que, na intervenção em causa, usou as palavras:
"têm zero, vocês vão ver"e contestou a versão segundo a qual terá afirmado: "vais pagá-las todas, vais ver, vais engoli-las todas". Luís Neves sublinhou que a sua postura não é de ameaça: "Nunca ameacei ninguém, não é a minha maneira de ser", disse.
O Chega, por seu turno, afirma que o ministro se terá dirigido de forma intimidatória a André Ventura durante o debate, descrevendo gestos e palavras que, segundo o partido, configuram uma ameaça direta. Nessa linha, o partido declarou ter solicitado uma reunião urgente com o Presidente da República, António José Seguro, e apelou a que o ministro se retratasse das alegadas "ameaças e insinuações feitas em plenário".
Contexto e repercussões institucionais
Luís Neves rejeita também que tenha exercido pressões no contexto do caso SIRESP, defendendo a idoneidade de Viegas Nunes e qualificando a divulgação das imagens como estranha por ocorrer quase um mês depois do debate. O governante acusou ainda o partido de "truncar imagens" e atribuiu a atitudes de terceiros motivações de "animosidade".
- Data do debate: 27 de maio
- Reação pública do Chega: pedido de reunião ao Presidente da República
- Posição do ministro: recusa categórica de ter ameaçado qualquer deputado
A contestação pública entre Executivo e oposição sobre comportamentos no hemiciclo levanta questões sobre a preservação do escrutínio parlamentar e sobre a interpretação de intervenções em sessões plenárias. O pedido de reunião ao Presidente sugere que o Chega pretende obter uma resposta institucional elevada, o que pode acrescentar tensão ao debate político nas próximas semanas.
Linha temporal
| Data | Evento |
|---|---|
| 27 de maio | Debate quinzenal em que terá ocorrido a intervenção em causa |
| 17 de junho | Ouvida no Parlamento sobre o tema SIRESP, citada pelo ministro |
| Domingo (notícia) | Chega acusa o ministro de ameaças e pede reunião com o Presidente da República |
O episódio permanece envolto em versões contraditórias. Caberá às entidades competentes e ao próprio Parlamento clarificar a sequência factual e a eventual ocorrência de condutas que possam configurar violações dos padrões de comportamento em plenário.