O debate político sobre a evolução do turismo nos Açores intensificou-se esta semana, após a divulgação de dados do Serviço Regional de Estatística que mostram um declínio continuado do número de dormidas em alojamentos turísticos. A contenda opõe o PSD/Açores e o PS, com diferentes leituras sobre causas e prioridades para a recuperação do setor, num ano marcado pela decisão da Ryanair de encerrar rotas para as ilhas.
Acusações cruzadas entram na agenda política
O PSD/Açores acusa o PS de uma postura contraditória: recorda que, em 2024, o PS alertara para os riscos do crescimento desordenado e para a pressão sobre o território, enquanto agora aponta para um alegado retrocesso face a indicadores superiores aos de 2024. Para os sociais-democratas, a prioridade deve ser a qualificação do destino e a criação de valor económico, não a mera contagem de visitantes.
"O objetivo nunca foi aumentar o número de turistas a qualquer custo, mas sim qualificar o destino para gerar mais valor, diversificar rotas e companhias aéreas e melhorar a distribuição dos fluxos por toda a Região."
O deputado Rúben Cabral, citado pelo PSD, sublinha ainda a necessidade de garantir acessibilidade para os próprios açorianos e critica o que descreve como uma fixação do PS na quantidade de visitantes.
Dados e consequências económicas
O SREA registou, pelo nono mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos em junho, com uma quebra de 3,8% face ao período homólogo. Empresas do sector alertaram publicamente que a saída da Ryanair poderá ter impacto negativo no PIB regional.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Meses consecutivos de queda nas dormidas | 9 |
| Variação homóloga das dormidas (junho) | -3,8% |
Para além da leitura política, a situação suscita desafios práticos: operadores turísticos, agentes locais e autoridades regionais debatem agora estratégias para compensar a perda de oferta aérea, diversificar mercados e valorizar experiências que aumentem o rendimento por visitante.
- Qualificação do destino: aposta em produtos turísticos de maior valor acrescentado;
- Diversificação de rotas: atração de novas companhias e reforço de ligações;
- Descentralização dos fluxos: promoção de outras ilhas para reduzir pressão nos pontos mais procurados.
O confronto entre PSD e PS coloca no centro do debate se a prioridade do Executivo regional deve ser a recuperação rápida de fluxos por via de aposta nas companhias low-cost ou uma estratégia de longo prazo que privilegie a sustentabilidade territorial e o valor económico. A ausência da Ryanair constitui um factor concreto que condiciona decisões de curto prazo e exige coordenação entre Governo, autarquias e operadores.
Enquanto os partidos trocam acusações públicas, resta aos responsáveis regionais operacionalizar medidas que minimizem o impacto imediato nas economias insulares e delinear um plano que responda às fragilidades expostas pelos recentes números estatísticos.