Chegou ao porto da Horta o navio de investigação Azores Ocean, uma plataforma móvel destinada a aprofundar o conhecimento científico sobre o mar que envolve os Açores e a incrementar a capacidade regional de investigação oceânica. A embarcação, construída em Espanha, foi recebida esta terça-feira e representa um investimento superior a 30 milhões de euros, cofinanciados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O governo regional considerou a chegada do navio um marco na capacitação de infraestruturas que suportam a investigação marinha. A unidade dará suporte técnico e logístico a operações de mapeamento dos fundos, prospeção em profundidade e estudos do mar profundo no Atlântico Norte, permitindo à região aumentar a autonomia cientifica na área marítima.
"um dia histórico"
Características e funções operacionais
O Azores Ocean tem 46 metros de comprimento e capacidade para transportar até 30 pessoas entre tripulação e cientistas. Está equipado com um ROV (veículo operado remotamente) que permite executar trabalhos detalhados de mapeamento do leito marinho e prospecção em águas profundas, actividades essenciais para conhecer os habitats bentónicos e identificar recursos e riscos no domínio marinho.
- Comprimento: 46 m;
- Lotação: 30 pessoas (tripulação + investigadores);
- Equipamento relevante: ROV para trabalhos em grande profundidade;
- Financiamento: cofinanciamento pelo PRR, investimento superior a 30 M€.
Para além das missões científicas, o executivo regional sublinhou a importância de utilizar este recurso em benefício da comunidade académica local, nomeadamente a Universidade dos Açores, e também em parceria com outras entidades nacionais e internacionais. A embarcação poderá integrar projectos estratégicos que envolvam universidades, centros de investigação e administrações públicas.
Impactos regionais e gestão das áreas marinhas
A chegada do navio surge num contexto em que a região tem vindo a consolidar medidas de gestão das suas áreas marinhas protegidas. O novo navio reforça as capacidades técnicas disponíveis para monitorizar e fiscalizar recursos, apoiar medidas de conservação e contribuir para avaliações científicas que sustentem políticas públicas.
O governo regional apontou igualmente para a necessidade de criar mecanismos de compensação para profissionais da economia extrativa, como a pesca, caso as medidas de proteção marinha impliquem restrições às actividades tradicionais. A existência de dados científicos robustos facilitará a definição de políticas mais informadas e de intervenções que conciliem conservação e atividade económica.
Entre os benefícios práticos anunciados destacam-se:
- Maior capacidade de investigação autónoma na região;
- Disponibilização de infraestrutura para a Universidade dos Açores e outros parceiros;
- Melhoria do conhecimento sobre o mar profundo e dos mapas de fundo marinho;
- Apoio a políticas de conservação e gestão de áreas marinhas protegidas.
| Item | Valor / Estado |
|---|---|
| Comprimento | 46 m |
| Lotação máxima | 30 pessoas |
| Equipamento principal | ROV |
| Financiamento | PRR (custo superior a 30 M€) |
O navio deverá ser integrado em programas de investigação orientados para o estudo do Atlântico Norte e para responder a necessidades concretas de monitorização e investigação nas imediações do arquipélago. A disponibilidade desta plataforma espera-se que potencie candidaturas a projectos internacionais e a colaborações técnicas de maior envergadura.
Do ponto de vista local, a presença de uma embarcação com estas capacidades cria oportunidades para formação especializada, emprego técnico e científico, e para que a comunidade académica e as entidades regionais disponham de meios mais adequados para perceber e gerir os recursos marinhos que rodeiam os Açores.