Investigação em ambientes extremos e diálogos entre ciência e criação
A geoquímica de vulcões tem vindo a ganhar visibilidade junto do público e das comunidades científicas por causa do seu impacto na segurança e no conhecimento sobre processos terrestres. A investigadora Céline Mandon, especialista em gases vulcânicos no Serviço Meteorológico da Islândia (IMO), descreve o trabalho que desenvolve na Península de Reykjanes e a sua colaboração com o duo artístico DEAR DEER no âmbito do projecto Archives of the Earth.
Os temas centrais do seu trabalho incluem o transporte de metais em plumas vulcânicas, eventos de desgaseificação paroxística e a libertação de gases com metais pesados após erupções. Estes fenómenos são determinantes para avaliar riscos atmosféricos e compreender como elementos metálicos são redistribuídos durante e depois de episódios eruptivos.
| Vulcão | Local |
|---|---|
| Whakaari / Ilha Branca | Nova Zelândia |
| Monte Etna | Itália |
| Fagradalsfjall | Islândia |
A trajectória profissional de Mandon passou por várias regiões vulcanicamente ativas; a experiência em locais tão distintos como a Nova Zelândia, Itália e a própria Islândia tem permitido construir metodologias comparativas para monitorizar gases e interpretar sinais pré e pós-eruptivos. O trabalho in situ inclui recolha de amostras e monitorização geoquímica contínua, fundamentais para modelos de previsão e para a avaliação de riscos.
Para além do lado técnico, a cientista explica como a colaboração com artistas pode enriquecer a divulgação e a compreensão pública da vulcanologia. O encontro com o duo DEAR DEER — a actriz e performer Isadora Alves e o eco-designer Christoph Matt — deu origem a um projecto de documentação do ciclo eruptivo na península, que decorreu durante quatro anos e que integrou perspetivas científicas e estéticas.
"Fiquei fascinada ainda em criança ao ler um livro sobre vulcões... Decidi que era isso que queria fazer e nunca mais desisti."
Os laços entre ciência e arte têm potencial para atingir audiências mais amplas e para traduzir dados técnicos em narrativas acessíveis. Projectos como Archives of the Earth demonstram que a combinação de registos científicos com abordagens artísticas pode reforçar a literacia ambiental e aproximar o público das complexidades dos processos naturais.
Em termos práticos, a monitorização dos gases vulcânicos e o estudo das lavas recentes permitem não só avaliar riscos imediatos — como a libertação de gases tóxicos ou partículas — mas também investigar mecanismos de transporte de elementos que têm implicações para a geoquímica global. A experiência de Mandon revela a importância de manter uma presença científica em terreno e de integrar diferentes formas de conhecimento para uma compreensão mais abrangente do fenómeno vulcânico.
- Gases vulcânicos: monitorização geoquímica essencial para prever alterações eruptivas.
- Interdisciplinaridade: colaboração entre cientistas e artistas amplia a comunicação científica.
- Reykjanes: laboratório natural para estudar processos pós-eruptivos e transporte de metais.