Conselho alerta para perda de capacidade e pede projeto para um novo porto
O Conselho de Ilha de São Miguel, presidido por Jorge Rita, voltou a colocar no centro do debate regional a necessidade de uma intervenção urgente no porto comercial de Ponta Delgada. Num diagnóstico apresentado na reunião da passada quinta‑feira, os conselheiros apontam para constrangimentos que já estão a afectar a operacionalidade da principal porta de entrada e saída de mercadorias dos Açores.
Segundo o documento divulgado pelo Conselho, mais de 95% das mercadorias da Região são movimentadas por transporte marítimo e Ponta Delgada absorve diariamente uma fatia relevante desta atividade: “
Ponta Delgada recebe mais de 60% da carga e é o principal porto exportador”, refere o texto, sublinhando a dependência da ilha de São Miguel em relação a esta infraestrutura.
Os conselheiros chamam a atenção para obras recentes que, longe de acrescentarem capacidade, reduziram a área de terrapleno destinada ao parqueamento de contentores. Também o comprimento do cais é apontado como insuficiente para garantir atracações e operações em dias de maior movimento, situação que tem implicado falta de espaço e onerosidade acrescida para recebedores e expedidores.
- Redução da área de terrapleno para contentores devido a obras recentes;
- Comprimento do cais inadequado em períodos de pico, com impacto nas operações;
- Concorrência de espaço entre navios de passageiros e de carga, com prioridade regulamentar para passageiros.
O Conselho propõe, assim, não só a requalificação do cais e das áreas de manobra e armazenagem como também a elaboração de um projeto para um novo porto comercial. A intenção é criar redundância e aumentar a capacidade operativa, resposta que consideram necessária face à imprevisibilidade e maior intensidade das intempéries associadas às alterações climáticas.
Foi igualmente salientado o problema regulatório da prioridade atribuída aos navios de passageiros, que em dias de grande afluência podem restringir ainda mais as operações de carga. O Conselho recorda o exemplo da Madeira, onde as operações de passageiros foram mantidas no Funchal e as de carga passaram para o porto do Caniçal, modelo apontado como referência para separar fluxos e reduzir conflitos de uso.
| Métrica | Valor (conforme Conselho) |
|---|---|
| Percentagem de mercadorias movimentadas por mar | >95% |
| Percentagem de carga recebida por Ponta Delgada | >60% |
Para os residentes e empresas de Ponta Delgada e de toda a ilha, as propostas significam duas questões práticas: necessidade de investimentos que assegurem a regularidade do abastecimento e custos logísticos controlados; e planeamento que aumente a resiliência do sistema portuário face a fenómenos meteorológicos extremos. A adoção de um projeto para um novo porto implicaria estudos técnicos, calendários e custos que terão de ser discutidos com as entidades regionais e nacionais responsáveis pela política marítima e portuária.
O apelo do Conselho de Ilha lança um desafio ao executivo regional e às autoridades portuárias: traduzir o diagnóstico em medidas concretas e calendarizadas que garantam que o principal porto comercial dos Açores suporta o crescimento e protege a economia regional das disrupções logísticas.